terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

RESENHA: O MITO DA CAVERNA -Marcelo



RESENHA: O MITO DA CAVERNA


Quantas vezes julgamos as coisas apenas pela imagem que vemos nelas? Muitas vezes nós nos deixamos levar pelas aparências e não procuramos saber qual é o real significado das coisas. Nos primórdios, nossos antepassados viviam em uma cultura empírica, o modo como eles plantavam, criavam animais e viam os fenômenos da natureza era apenas baseado na observação. Assim, sabiam quando poderia chover, qual era a melhor época para se plantar determinado vegetal, como curar os animais de certas doenças, mas não sabiam por quê. Somente sabiam que, se cumprissem certos procedimentos, percebidos por eles ou transmitidos pelos mais velhos da tribo, poderiam resolver os problemas que lhes surgiam. A cultura baseada no empirismo não trouxe grandes progressos para a humanidade, não é uma cultura que procura questionar, apenas leva o homem a observar fenômenos e, pela repetição deles, permite que se possa tirar conclusões.
Ao longo do tempo, alguns homens começaram a se questionar sobre o porquê dos fenômenos naturais, porquê chovia, porquê o sol nascia e se punha todos os dias, e passaram a observar os fenômenos de forma científica, procurando saber como e porquê eles aconteciam. Assim, o homem foi desenvolvendo cada vez mais as tecnologias, originadas da cultura científica.
Mas não é porque estamos no século XXI, com todo o progresso tecnológico que podemos dizer que estamos livres da cultura empírica, que estamos todos munidos do saber científico. A maioria das pessoas não vê o mundo de forma científica, apenas aceita as informações que recebe através de outros ou através dos veículos de comunicação e as tomam como verdades indiscutíveis, sem procurar refletir se essas informações são verdadeiras ou não, e qual a sua profundidade. Foi desse modo que certas teorias se tornaram dogmas por séculos, até que alguém começasse a se perguntar se eram verdadeiras ou não. Tomemos como exemplo as teorias sobre o universo. O homem passou séculos acreditando que a Terra era o centro do universo, assim como julgava ser impossível que a Terra fosse redonda, sem nunca terem feito cálculos ou experimentos para comprovar esses fatos. Essas “verdades” eram aceitas por todos, ninguém pensava que pudesse ser de modo diferente, ninguém se perguntava porquê era daquele modo, já que nunca tinham comprovado esses dogmas. Até que alguns estudiosos refletiram sobre a idéia e começaram a questionar se tudo aquilo que eles tinham aprendido era verdade. No início, esses estudiosos foram massacrados pela sociedade, foram chamados de bruxos e alguns até foram condenados à morte. Ao longo do tempo, as pessoas começaram a perceber o mundo de forma diferente, os estudiosos conseguiram convencer a sociedade de suas convicções e muitas dessas teorias que eram tidas como dogmas foram quebradas para dar espaço a outras, que tinham melhores propostas.
Com o conhecimento empírico nunca poderia o homem imaginar que a Terra era redonda, sem estudos científicos sobre o assunto, é difícil imaginar que vivemos “de cabeça para baixo” com relação ao universo, que todos os dias a Terra gira em torno do seu eixo para que ocorram os fenômenos do dia e da noite. Somente com profundos estudos científicos se pôde afirmar isso. Mesmo os fenômenos que podemos saber que ocorrem, como os fenômenos das marés, nunca poderíamos explicá-los baseados no empirismo.
Entretanto, a passagem do empírico para o científico não é fácil, não se aprende nada imediatamente e sem um mínimo de esforço. Desse modo ocorre na alegoria do Mito da Caverna, de Platão. Assim como os homens que estavam enclausurados na caverna, sem poderem se movimentar, somente com uma forte luz atrás de si, vendo as sombras que refletiam na parede da caverna, a sociedade estava e está de muitas formas na escuridão, no que se refere ao saber científico. Para que o homem que foi libertado da escuridão se ambientasse com a luz levou tempo, e teve de ser aos poucos. Assim, para que possamos sair da escuridão para encontrar a luz do saber científico, temos que nos esforçar, nos ambientar aos poucos com esse saber, que à primeira vista é ofuscante e confunde nossas idéias, mas ao longo do tempo vamos nos acostumando e percebendo que o pensamento que tínhamos anteriormente era completamente limitado. As dificuldades na transição do saber empírico para o saber científico fazem com que muitos desistam, mas os que conseguem ultrapassar essa fase nunca mais querem voltar à escuridão.
Muitos que estão privados do saber científico às vezes pensam que tudo sabem, que o conhecimento que possuem é suficiente para que tudo entendam. No Mito da Caverna, os homens que lá viviam achavam que a realidade da caverna era a única que existia, que as sombras eram seres, alguns ainda se comunicavam, a visão que eles tinham da realidade era completamente distorcida do real. E isso não ocorre somente com os prisioneiros de Platão, mas também com os que negam o saber científico, com os que nada sabem e pensam que tudo sabem. A prova disso é que quanto mais uma pessoa se aprofunda no estudo filosófico ou de qualquer outra área, mais ela descobre que ainda tem muito a conhecer. Isso porque passa a conhecer outras realidades, não somente a que estava acostumado. E quanto mais realidades descobre, mais percebe que tem muito a aprender.
O filósofo, que procura mostrar a luz do saber aos outros, muitas vezes é criticado e sofre repreensões físicas e morais, é chamado de sonhador, de ser que está fora da realidade e no passado era até castigado fisicamente. Tudo isso por perceber a realidade dos fatos de maneira clara, ao passo que os outros se mantém na escuridão do saber empírico. Muitos negam o saber científico, talvez pelas dificuldades que surgem à medida que vão descobrindo-o, talvez por achar mais cômodo permanecer sem o total conhecimento das coisas para não se preocupar demais com as coisas do mundo. Assim, as pessoas deixam de aproveitar de tudo o que o saber científico pode proporcionar para ficar preso nas limitações do saber científico.
Devemos perceber que, de certa forma, estamos também na escuridão como os prisioneiros de Platão, quando somente assistimos ao que se passa na televisão e nos outros meios de comunicação sem procurar questionar se os fatos narrados, que muitas vezes são manipulados, estão munidos de total clareza. Muitas vezes não nos perguntamos se o que aprendemos, mesmo nas escolas e universidades é verdadeiro, se não estamos nos limitando somente à esfera do que os professores passam, sem buscar outras fontes de conhecimento, como a leitura. Não se pode ficar restrito a uma só realidade, preso pelos que manipulam a mente da sociedade, não se pode ver os fatos de um só ângulo, deve-se refletir e pensar sobre o que nos é passado, para que não fiquemos eternamente presos na escura caverna do saber empírico e recebamos a luz do verdadeiro saber.
Autor: Marcelo
(Texto disponível em  http://www.pedagogiaaopedaletra.com.br/posts/resenha-mito-caverna-2/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=resenha-mito-caverna-2 )

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O GOL CONTRA DO CRACK -Paulinho Nó Cego

  Curtir,compartilhar o que é bom nos ajuda a entender como a dinâmica da vida vale a pena.Ao receber o que é bom devemos dividir.Hoje ao visitar um blog muito bom me deparei com esse texto,vale a pena ser compartilhado com você que visita esses Olhos do Aprender.Leia-o e aprenda um pouco mais sobre esse tema que tanto inquieta a sociedade atual.
O GOL CONTRA DO CRACK
Paulinho Nó Cego

Amigos eu conto agora
Uma história sem igual 
É o gol contra do crack
Hoje, um tema nacional
A droga vem destruindo
E só a gente se unindo
Prevenindo contra o mal

Por isso peço a palavra
Pois o assunto é sério
Vamos prevenir os jovens
Nas famílias, nos colégios
E falar porque é fato
Evite ter o contato
Crack leva ao cemitério

Afirmo e isso é verdade
Nas cidades é uma loucura
Já vendem crack nas feiras
Parece até rapadura
Mas quando é inalado
O jovem fica viciado
O que era doce, amargura

E na luta que almejo
Versejo com inspiração
O ensejo se desenvolve
Ao jovem mais atenção
O crack é uma ferida
Que corrói, destrói a vida
Essa droga é do cão

Os pesquisadores afirmam
Que o crack é diferente
Em oito segundos vicia
É pior que aguardente
Os sintomas: baixo astral
Sem senso do que é moral
Torna um ser deprimente

Quem tem alguém viciado
Na família, algum parente
Sabe o que estou falando
E a dor que a gente sente
Tudo poderia ser evitado
Se não tivesse aceitado
“Pega, é bom, faz tua mente”

Se te oferecerem a pedra
Pondera! A droga é à toa
Dá mal estar, calafrio
Se desconhece a pessoa
Causa tanto prejuízo
Destrói o cérebro, o juízo
A coisa não é mesmo boa

Diga não para o convite
Não entre nessa cilada
Quem fuma crack, acredite
Permite-se a vacilada
Seja então inteligente
Quem fuma fica doente
O crack não está com nada

Tenha uma vida decente
Estude, se profissionalize
Tenha um objetivo na vida
Não cometa esse deslize
Não caia no precipício
Amigo, saia do vício
E viva dias felizes

Pois o viciado em crack
Não pára de consumir
Se tiver dinheiro gasta
Se não tem vai conseguir
Assalta, rouba a família
Entra em gang, quadrilha
O fim do túnel é isso aí

Por isso estou avisando
E quem avisa amigo é
Não entre nessa do crack
Não dê uma de Mané
Dê preferência ao estudo
O crack destrói com tudo
Seja forte e tenha fé

Não vá mais à cracolândia
Largue a turma do sinal
Jogue fora seu cachimbo
Esqueça esse pessoal
Durma, pense e se alimente
A vida pertence à gente
O crack só faz o mal

Falo porque o crack 
É a droga da destruição
Acaba a vida em meses
O drogado perde a razão
Passa noites perambulando
E a família lutando
Sem encontrar solução

Já pensou numa campanha
Onde todos participassem
Esclarecendo cada jovem
Do país de toda classe
O crack não é só do pobre
O rico viciado encobre
Está estampado na face

Existem organizações
Onde o trabalho é reforçado
Estão em todo o país
Recuperando os drogados
Mas ainda é muito pouco
O crack está no topo
Por onde tem se espalhado

Vamos dizer aos jovens
O crack só causa o mal
Quem fuma crack não é craque
É um grande perna de pau
Tenha força se lhe afronta
O crack fez um gol contra
De status nacional

Gol contra a dignidade
A fraqueza do cidadão
Saia do vício seu Zé
Tenha fé, ó meu irmão
Com o crack não tem forte
O crack só leva à morte
Sem sorte de salvação

É triste ver nas cidades 
A coisa é assustadora
O dependente de crack
Tem morte avassaladora
Tranca o pulmão do cara
Fica magro que nem vara
Quem disse foi a doutora

Também disse que o crack
Causa trauma e sofrimento
Quantos jovens se matando
Sem ter o discernimento
Pegam a onda errada
Na vida não vivem nada
Morrem a todo momento

Os sintomas que ele causa
Já me contou um drogado
Boca seca, muita sede
Doidinho por outro trago
Sugestionado ao extremo
Vê quem ele não está vendo
E o coração acelerado

Se todos dissessem não
A essa droga maldita
Evitaríamos mais mortes
Diminuiríamos as listas
Nas capitais nas cidades
Jovens de várias idades
Sairiam das estatísticas

Famílias são destruídas
Seus filhos vão morrendo
Nós somos a sociedade
Enxergamos mas não vemos
Será que o jovem drogado
Não pode ser ajudado
Ou não é isso que queremos?

Tem tratamento ao drogado
Muita gente nessa lida
Instituições e Igrejas
A sociedade envolvida
Até o governo federal
Já liberou seu aval
Vamos salvar essas vidas

Juntas: políticas de saúde
A sociedade organizada
Campanhas contra as drogas
Polícia e Forças Armadas
As Igrejas, os Institutos
Se evitaria mais lutos
Mais vidas recuperadas

É morte e vem prematura
O jovem não curte nada
Eu era feliz com Ritinha
Vítima dessa cilada
Seis meses usando crack
Morreu de súbito ataque
Não aguentou a parada

Quem é gordo fica magro
O Crack faz bagaceira
Eu namorava uma moça
Jeitosa toda faceira
Mas se viciou em pedra
Ficou magrinha, amarela
Só pele numa caveira

Começou a roubar objetos
Pequenos furtos  fazia
Queria sempre comprar
Fumar crack noite e dia
Quando não estava internada
Vagava nas madrugadas
A polícia já a conhecia

Não demorou seis meses
Perdi minha namorada
Ritinha ficou tão feia
A boca toda queimada
Não ouviu velhos conselhos
Procurou viver no meio
Teve a vida exterminada

Eu perdi minha Ritinha
Pra droga da maldição
Ela se chama “CRACK”
Seu nome: contradição
Craque pra mim é Romário
Ronaldinho Gaúcho, Nazário
Messi, Neimar, Zico e Tostão

Toda a sociedade
Tem que ter esclarecimento
O dependente químico
Precisa de tratamento
Pra tudo tem solução
Vamos ajudar o irmão
A sair desse tormento

Jesus mesmo que disse
No mundo tereis aflição
Amai-vos uns aos outros
Nós todos somos irmãos
Ajude quem mais precisa
É isso que nos realiza
E faz bem ao coração

No mundo tem desespero
Todo mal já se tem visto
É guerra, é o narcotráfico
É trágico ver tudo isto
O mundo está doente
Porque toda essa gente
Não tem procurado CRISTO.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Casa tomada -Júlio Cortázar

Casa tomada
[Cuento. Texto completo.]
Julio Cortázar
Nos gustaba la casa porque aparte de espaciosa y antigua (hoy que las casas antiguas sucumben a la más ventajosa liquidación de sus materiales) guardaba los recuerdos de nuestros bisabuelos, el abuelo paterno, nuestros padres y toda la infancia.
Nos habituamos Irene y yo a persistir solos en ella, lo que era una locura pues en esa casa podían vivir ocho personas sin estorbarse. Hacíamos la limpieza por la mañana, levantándonos a las siete, y a eso de las once yo le dejaba a Irene las últimas habitaciones por repasar y me iba a la cocina. Almorzábamos al mediodía, siempre puntuales; ya no quedaba nada por hacer fuera de unos platos sucios. Nos resultaba grato almorzar pensando en la casa profunda y silenciosa y cómo nos bastábamos para mantenerla limpia. A veces llegábamos a creer que era ella la que no nos dejó casarnos. Irene rechazó dos pretendientes sin mayor motivo, a mí se me murió María Esther antes que llegáramos a comprometernos. Entramos en los cuarenta años con la inexpresada idea de que el nuestro, simple y silencioso matrimonio de hermanos, era necesaria clausura de la genealogía asentada por nuestros bisabuelos en nuestra casa. Nos moriríamos allí algún día, vagos y esquivos primos se quedarían con la casa y la echarían al suelo para enriquecerse con el terreno y los ladrillos; o mejor, nosotros mismos la voltearíamos justicieramente antes de que fuese demasiado tarde.
Irene era una chica nacida para no molestar a nadie. Aparte de su actividad matinal se pasaba el resto del día tejiendo en el sofá de su dormitorio. No sé por qué tejía tanto, yo creo que las mujeres tejen cuando han encontrado en esa labor el gran pretexto para no hacer nada. Irene no era así, tejía cosas siempre necesarias, tricotas para el invierno, medias para mí, mañanitas y chalecos para ella. A veces tejía un chaleco y después lo destejía en un momento porque algo no le agradaba; era gracioso ver en la canastilla el montón de lana encrespada resistiéndose a perder su forma de algunas horas. Los sábados iba yo al centro a comprarle lana; Irene tenía fe en mi gusto, se complacía con los colores y nunca tuve que devolver madejas. Yo aprovechaba esas salidas para dar una vuelta por las librerías y preguntar vanamente si había novedades en literatura francesa. Desde 1939 no llegaba nada valioso a la Argentina.
Pero es de la casa que me interesa hablar, de la casa y de Irene, porque yo no tengo importancia. Me pregunto qué hubiera hecho Irene sin el tejido. Uno puede releer un libro, pero cuando un pullover está terminado no se puede repetirlo sin escándalo. Un día encontré el cajón de abajo de la cómoda de alcanfor lleno de pañoletas blancas, verdes, lila. Estaban con naftalina, apiladas como en una mercería; no tuve valor para preguntarle a Irene qué pensaba hacer con ellas. No necesitábamos ganarnos la vida, todos los meses llegaba plata de los campos y el dinero aumentaba. Pero a Irene solamente la entretenía el tejido, mostraba una destreza maravillosa y a mí se me iban las horas viéndole las manos como erizos plateados, agujas yendo y viniendo y una o dos canastillas en el suelo donde se agitaban constantemente los ovillos. Era hermoso.
Cómo no acordarme de la distribución de la casa. El comedor, una sala con gobelinos, la biblioteca y tres dormitorios grandes quedaban en la parte más retirada, la que mira hacia Rodríguez Peña. Solamente un pasillo con su maciza puerta de roble aislaba esa parte del ala delantera donde había un baño, la cocina, nuestros dormitorios y el living central, al cual comunicaban los dormitorios y el pasillo. Se entraba a la casa por un zaguán con mayólica, y la puerta cancel daba al living. De manera que uno entraba por el zaguán, abría la cancel y pasaba al living; tenía a los lados las puertas de nuestros dormitorios, y al frente el pasillo que conducía a la parte más retirada; avanzando por el pasillo se franqueaba la puerta de roble y mas allá empezaba el otro lado de la casa, o bien se podía girar a la izquierda justamente antes de la puerta y seguir por un pasillo más estrecho que llevaba a la cocina y el baño. Cuando la puerta estaba abierta advertía uno que la casa era muy grande; si no, daba la impresión de un departamento de los que se edifican ahora, apenas para moverse; Irene y yo vivíamos siempre en esta parte de la casa, casi nunca íbamos más allá de la puerta de roble, salvo para hacer la limpieza, pues es increíble cómo se junta tierra en los muebles. Buenos Aires será una ciudad limpia, pero eso lo debe a sus habitantes y no a otra cosa. Hay demasiada tierra en el aire, apenas sopla una ráfaga se palpa el polvo en los mármoles de las consolas y entre los rombos de las carpetas de macramé; da trabajo sacarlo bien con plumero, vuela y se suspende en el aire, un momento después se deposita de nuevo en los muebles y los pianos.
Lo recordaré siempre con claridad porque fue simple y sin circunstancias inútiles. Irene estaba tejiendo en su dormitorio, eran las ocho de la noche y de repente se me ocurrió poner al fuego la pavita del mate. Fui por el pasillo hasta enfrentar la entornada puerta de roble, y daba la vuelta al codo que llevaba a la cocina cuando escuché algo en el comedor o en la biblioteca. El sonido venía impreciso y sordo, como un volcarse de silla sobre la alfombra o un ahogado susurro de conversación. También lo oí, al mismo tiempo o un segundo después, en el fondo del pasillo que traía desde aquellas piezas hasta la puerta. Me tiré contra la pared antes de que fuera demasiado tarde, la cerré de golpe apoyando el cuerpo; felizmente la llave estaba puesta de nuestro lado y además corrí el gran cerrojo para más seguridad.
Fui a la cocina, calenté la pavita, y cuando estuve de vuelta con la bandeja del mate le dije a Irene:
-Tuve que cerrar la puerta del pasillo. Han tomado parte del fondo.
Dejó caer el tejido y me miró con sus graves ojos cansados.
-¿Estás seguro?
Asentí.
-Entonces -dijo recogiendo las agujas- tendremos que vivir en este lado.
Yo cebaba el mate con mucho cuidado, pero ella tardó un rato en reanudar su labor. Me acuerdo que me tejía un chaleco gris; a mí me gustaba ese chaleco.
Los primeros días nos pareció penoso porque ambos habíamos dejado en la parte tomada muchas cosas que queríamos. Mis libros de literatura francesa, por ejemplo, estaban todos en la biblioteca. Irene pensó en una botella de Hesperidina de muchos años. Con frecuencia (pero esto solamente sucedió los primeros días) cerrábamos algún cajón de las cómodas y nos mirábamos con tristeza.
-No está aquí.
Y era una cosa más de todo lo que habíamos perdido al otro lado de la casa.
Pero también tuvimos ventajas. La limpieza se simplificó tanto que aun levantándose tardísimo, a las nueve y media por ejemplo, no daban las once y ya estábamos de brazos cruzados. Irene se acostumbró a ir conmigo a la cocina y ayudarme a preparar el almuerzo. Lo pensamos bien, y se decidió esto: mientras yo preparaba el almuerzo, Irene cocinaría platos para comer fríos de noche. Nos alegramos porque siempre resultaba molesto tener que abandonar los dormitorios al atardecer y ponerse a cocinar. Ahora nos bastaba con la mesa en el dormitorio de Irene y las fuentes de comida fiambre.
Irene estaba contenta porque le quedaba más tiempo para tejer. Yo andaba un poco perdido a causa de los libros, pero por no afligir a mi hermana me puse a revisar la colección de estampillas de papá, y eso me sirvió para matar el tiempo. Nos divertíamos mucho, cada uno en sus cosas, casi siempre reunidos en el dormitorio de Irene que era más cómodo. A veces Irene decía:
-Fijate este punto que se me ha ocurrido. ¿No da un dibujo de trébol?
Un rato después era yo el que le ponía ante los ojos un cuadradito de papel para que viese el mérito de algún sello de Eupen y Malmédy. Estábamos bien, y poco a poco empezábamos a no pensar. Se puede vivir sin pensar.
(Cuando Irene soñaba en alta voz yo me desvelaba en seguida. Nunca pude habituarme a esa voz de estatua o papagayo, voz que viene de los sueños y no de la garganta. Irene decía que mis sueños consistían en grandes sacudones que a veces hacían caer el cobertor. Nuestros dormitorios tenían el living de por medio, pero de noche se escuchaba cualquier cosa en la casa. Nos oíamos respirar, toser, presentíamos el ademán que conduce a la llave del velador, los mutuos y frecuentes insomnios.
Aparte de eso todo estaba callado en la casa. De día eran los rumores domésticos, el roce metálico de las agujas de tejer, un crujido al pasar las hojas del álbum filatélico. La puerta de roble, creo haberlo dicho, era maciza. En la cocina y el baño, que quedaban tocando la parte tomada, nos poníamos a hablar en voz más alta o Irene cantaba canciones de cuna. En una cocina hay demasiados ruidos de loza y vidrios para que otros sonidos irrumpan en ella. Muy pocas veces permitíamos allí el silencio, pero cuando tornábamos a los dormitorios y al living, entonces la casa se ponía callada y a media luz, hasta pisábamos despacio para no molestarnos. Yo creo que era por eso que de noche, cuando Irene empezaba a soñar en alta voz, me desvelaba en seguida.)
Es casi repetir lo mismo salvo las consecuencias. De noche siento sed, y antes de acostarnos le dije a Irene que iba hasta la cocina a servirme un vaso de agua. Desde la puerta del dormitorio (ella tejía) oí ruido en la cocina; tal vez en la cocina o tal vez en el baño porque el codo del pasillo apagaba el sonido. A Irene le llamó la atención mi brusca manera de detenerme, y vino a mi lado sin decir palabra. Nos quedamos escuchando los ruidos, notando claramente que eran de este lado de la puerta de roble, en la cocina y el baño, o en el pasillo mismo donde empezaba el codo casi al lado nuestro.
No nos miramos siquiera. Apreté el brazo de Irene y la hice correr conmigo hasta la puerta cancel, sin volvernos hacia atrás. Los ruidos se oían más fuerte pero siempre sordos, a espaldas nuestras. Cerré de un golpe la cancel y nos quedamos en el zaguán. Ahora no se oía nada.
-Han tomado esta parte -dijo Irene. El tejido le colgaba de las manos y las hebras iban hasta la cancel y se perdían debajo. Cuando vio que los ovillos habían quedado del otro lado, soltó el tejido sin mirarlo.
-¿Tuviste tiempo de traer alguna cosa? -le pregunté inútilmente.
-No, nada.
Estábamos con lo puesto. Me acordé de los quince mil pesos en el armario de mi dormitorio. Ya era tarde ahora.
Como me quedaba el reloj pulsera, vi que eran las once de la noche. Rodeé con mi brazo la cintura de Irene (yo creo que ella estaba llorando) y salimos así a la calle. Antes de alejarnos tuve lástima, cerré bien la puerta de entrada y tiré la llave a la alcantarilla. No fuese que a algún pobre diablo se le ocurriera robar y se metiera en la casa, a esa hora y con la casa tomada.
FIN

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Linguagem, língua, código, literatura - Karin

Linguagem, língua, código, literatura


Desde que o ser humano existe ele se expressa através da arte, coloca todo sua subjetividade nela, ou seja, o que ele pensa, vê e sente.
Depois do advento da escrita surgiu a linguagem literária, a arte expressa em palavras.
Com ela veio a conotação, o sentido figurado que se opõe à denotação que é o sentindo original da palavra encontrado nos dicionários.
Quando falamos em expressão, falamos em código que nada mais é do que o que usamos para nos comunicarmos, sejam gestos, figuras, expressões faciais, placas de trânsito e a própria língua que é um código linguístico.
Assim, a linguagem pode ser verbal (com uso de palavras) ou não verbal (sem o uso de palavras). Quando há as duas coisas ela é mista.
Há diversos modos de falar e escrever e é o que se chama se variedade linguística. A variedade pode ser social (coloquial e culta) ou regional (dialetos - os conhecidos sotaques).
Dessa maneira o falar certo e errado não existe mais, o que existe é a modalidade coloquial e a culta que usamos conforme o contexto que nos encontramos, assim como quando escolhemos uma roupa para sair.

( Disponível em  http://kaprofissionaldeletras.blogspot.com.br/2013/02/linguagem-lingua-codigo-literatura.html?spref=fb)

Eu aprendi -William Shakespeare

Eu aprendi...
...que ignorar os fatos não os altera;

Eu aprendi...
...que quando você planeja se nivelar com alguém, apenas esta permitindo que essa pessoa continue a magoar você;

Eu aprendi...
...que o AMOR, e não o TEMPO, é que cura todas as feridas;

Eu aprendi...
...que ninguém é perfeito até que você se apaixone por essa pessoa;

Eu aprendi...
...que a vida é dura, mas eu sou mais ainda;

Eu aprendi...
...que as oportunidades nunca são perdidas; alguém vai aproveitar as que você perdeu.

Eu aprendi...
...que quando o ancoradouro se torna amargo a felicidade vai aportar em outro lugar;

Eu aprendi...
...que não posso escolher como me sinto, mas posso escolher o que fazer a respeito;

Eu aprendi...
...que todos querem viver no topo da montanha, mas toda felicidade e crescimento ocorre quando você esta escalando-a;

Eu aprendi...
...que quanto menos tempo tenho, mais coisas consigo fazer.
  William Shakespeare

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Referências culturais na aula de espanhol como língua estrangeira -Damiana Oliveira

Referências culturais na aula de espanhol como língua estrangeira

Dia 13 de fevereiro de 2013 - por admin
Olá, caros colegas!
Há uma questão que sempre me preocupa quando vou preparar minhas aulas: sempre faço de tudo para inserir aspectos culturais nas minhas aulas de espanhol. Vejo que os alunos tem vindo cada vez mais “verdes” aprender um novo idioma. Calma, vou explicar. Digo que os alunos chegam “verdes” porque não possuem referências culturais básicas, como saber o mínimo de geografia (tem muito marmanjo que não sabe nem quantos continentes há no mundo ou os países que falam a língua que ele está aprendendo) desde a não saber referências culturais como autores importantes, artistas ou músicos marcantes que envolvem determinado idioma.
O que percebo do espanhol é que a coisa complica porque os brasileiros chegam para as primeiras aulas com um certo “preconceito”, um olhar de desdém para a América Latina. Como professora, penso que não cabe julgar esse comportamento, mas sim desmistificar essa impressão ruim. Mas como?
***Top 10 de como trabalhar cultura em aulas de ELE***
1- Trazer mapas para a sala de aula. Isso mesmo. Aí você deve estar perguntando: mas não sou professor disso…. Pois é amigo, mas é professor de uma língua que é todo um mundo novo para seu aluno. Apresente esse mundo mágico, para que ele possa desfrutar  de suas descobertas de forma agradável, como tem que ser. Mostre no mapa todos os países que falam espanhol, mostre vídeos de lugares que ele vai poder conhecer melhor falando essa nova língua. Eu tenho o costume de baixar aqueles comerciais turísticos de 2 minutos no youtube e mostrar no final de cada aula. Acredite: dá resultado. O aluno pesquisa sobre o que gosta de ver e assim aumenta sua bagagem cultural.
2- Sobre as músicas, penso que é importante sair do roteiro Shakira -Maná. Eles já conhecem essas músicas! Traga novas! Traga cantores da Bolívia,  da Espanha, do Chile, da Argentina: use sua criatividade musical. O aluno precisa conhecer ritmos que não conhece. Incentive o aluno a buscar músicas que goste de ouvir.
3-Sobre filmes. Incentive os alunos a descobrir o mundo do cinema hispano. Mas vou ser sincera: não coloque filmes inteiros em sala de aula. Use cenas ou o próprio trailer do filme: eles ficam curiosos e vão atrás do filme inteiro, pode apostar. Caso se empolgue, organizar um cineminha na escola fora do horário de aula normal sempre é válido.
4- Explique quem são as personalidades do mundo hispano. Apresente filósofos, escritores, blogueiros… tudo que puder. Serão referências novas que podem deixar o aluno em contato permanente com a língua, pois se ele gosta…. bingo!
5- Incentive seus alunos a ler bons livros em espanhol. Traga poesias para suas aulas. Traga trechos de livros. Mostre os filmes baseados nos livros. Acredite: os alunos compram os livros. E leem outros dos autores que gostam.
6- Trabalhe em sala de aula questões do folclore de cada país. Não se apegue só ao que o livro didático trás. Traga imagens, fale com amor sobre aspectos culturais da América Latina. O amor cativa!
7- Incentive os alunos a fazer amizade com nativos que moram no Brasil. O Guia Latino divulga sempre as festas latinas em SP, por exemplo. Incentive o aluno a frequentar esses eventos. Fazer amizades! Amizade é um bom começo para uma relação de amor com o idioma que se aprende. Ah, mas se eu não estou em SP? Ué, use a criatividade! Leve um colega para ser entrevistado pelos alunos, organize uma videoconferência!
8- Incentive os alunos a ler jornais hispanos. O Memorial da América Latina disponibiliza um portal com a relação dos mais importantes separados por país. Apresente aos seus alunos a Janela para AL. É gratuito.
9- Traga temas políticos de importância para a sala de aula. Não deixe sua aula longe do que se passa no universo. É ótimo para trabalhar conversação e os pretéritos de uma forma produtiva.
10- Não deixe a história da América Latina de lado. Ela é tão rica! E acredite, está fora dos currículos escolares.

Abraço grande!
 0
***Dicas da semana***
Lengua y Cultura en la clase de ELE – Sebastián Quesada Marco
Excelente artigo de Sebastián Quesada Marco publicado na revista New Routes. Apesar de antiguinho (foi publicado em 2006) ainda é muito atual para o nosso contexto e me inspirou muito.

(Disponível em  http://www.damianaoliveira.com.br/?cat=21)

Quem tem medo da ABNT? -Damiana Oliveira

Quem tem medo da ABNT?


Será a ABNT tão assustadora assim como dizem?
Será a ABNT tão assustadora assim como dizem?

Olá, caros colegas!


A onda agora é ter medo da ABNT. É só andar pelas universidades e ver os alunos de último ano descabelados e rangendo os dentes de desespero.  Alguns pensam que é por causa do TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), entretanto a verdade é outra. Até existe alguma ideia sobre o quê escrever (tirando é claro os casos dos plagiadores, tratados neste post aqui). A coisa é que exige-se a tal da ABNT e vem o sofrimento.  Mas afinal, que raio é isso de ABNT?
A ABNT, Associação Brasileira de Normas Técnicas,  tem por objetivo “prover a sociedade brasileira de conhecimento sistematizado”. Traduzindo: a associação objetiva prover nossa sociedade de ciência!  Sim: ciência é qualquer conhecimento sistematizado.
Colocar um conhecimento, algo tão abstrato, em um determinado formato dá a ele características de ciência. Olha só o valor que uma forma tem! Por isso as regras da ABNT dizem o que um trabalho acadêmico deve ter e como deve ser sistematizado para ser coisa séria, ou seja, ciência.
A ABNT é toda organizadinha e bem simples de lidar. O que anda complicadinho são os professores de metodologia. Na teoria são eles que orientariam os alunos na forma de conduzir suas pesquisas e concretizar suas descobertas no papel e fazer delas ciência. Na prática, eles contam histórias de terror sobre um monstro chamado ABNT que come universitários indefesos.
Mas então porque a ABNT leva a culpa toda? Há dois problemas importantes aí:
1- Os professores sabem muito bem lidar com a ABNT mas preferem que os alunos não saibam para que estes valorizem o que eles sabem. Neste caso temos o professor mutante: aquele que cada dia acha do seu trabalho uma coisa diferente, sempre ruim na opinião dele. Aí ele pede para você alterar e amanhã, pede para você voltar ao que tinha escrito antes. Processo eterno de refazer apenas para alimentar o seu ego voraz. Nesse caso o ego é o monstro que devora os universitários, e não a ABNT.
2- Os professores que não sabem nem o que é ABNT e tem que orientar os alunos a fazer pesquisa. Nesse caso, a ignorância é o monstro que devora. E aí o professor de faz de ocupado e… some!
Já pensou, operar uma pessoa sem saber como fazer? Bizarro, não? Pior é fazer isso fingindo que sabe. Pena que para a área de humanas não soa tão estranho assim….

E ele nem é mau, coitado!
E a ABNT nem é má, coitada!   Só leva fama!

O caso 1 é mais difícil de resolver que o caso 2. Porque remédio para a ignorância é o estudo. Agora, o remédio da soberba ainda não encontrei…
Para os alunos desanimados deixo um desafio: estudem! Façam seu mestrado, defendam o doutorado e sejam melhores orientadores que isso!  Assim se quebraria com certeza esse ciclo maldito e todos seriam ( ou ao menos tentaríamos ser)  felizes para sempre!
Até a próxima!
 (Disponível em  http://www.damianaoliveira.com.br/?p=555)